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Poesia & Prosa

Certas manhãs

Cilene Resende
Cilene Resende Escritora & Poeta
17 de dezembro, 2022

Há certas manhãs em que eu gostaria de recitar o seu nome como se fosse a melodia do mundo. Conclamar as tempestades, com o vibrar dos terremotos e o calor dos vulcões.

Sobretudo, ansiaria a sua chegada com o sopro das florestas.

Mas não me atrevo.

Quisera antes ainda, ser despertada pelo misterioso cheiro da sua pele ao sair da banheira e refletir o fogo que queima e te assiste. Reparar aonde é suave, aonde é tormenta, aonde me perco.

Quisera também traçar tatuagens invisíveis nas suas costas com as unhas compridas, desenhar a sua terra e o meu mar. Entrelaçar redemoinhos dos meus dedos nas curvas dos seus cabelos.

Há certas manhãs em que eu quis ser a sua presa, o seu abate, o próprio leito onde você descansa, o seu início, o fim e o meio.

Quisera me desmanchar em milhões de pedacinhos pulsantes e derretidos após o toque dos seus fartos lábios que não me atrevo.

Ahh, ahh se me atrevesse…

descobriria os caminhos escuros e frios, das tempestades brancas de neve, que apenas fazendo de nós um só, para respirar meu último suspiro.

E eu haveria de recostar no seu peito.