Lágrima
que chorei
com a fumaça da cebola
e a fumaça dos dias
que ardem
Lágrima
que chorei de rir
como quem desiste da dor por um segundo
e abre o peito
feito flor com espinho
Lágrima
que chorei de raiva,
de não caber no mundo com tanta sede
incompreendida
Lágrima
que chorei de frustração
com estes meus olhos que lavam o que o corpo engole
Lágrima
que chorei de amor
sem entender direito como seu coração foi parar em minhas mãos
Lágrima
que chorei de despedida
como quem treina a ausência uma vez por semana
Com olhos que não sabem fingir coragem para o espelho,
disse-lhe adeus mil vezes
e em todas acreditei que era a última,
mas hoje, vou chorando devagar
desistindo de te amar do lado errado da porta
com lágrimas impúberes — morrendo, mal tendo vivido.